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Nem propaganda, nem marketing
É preciso admitir: o universo da propaganda mudou. Até agora, aqueles que ingressavam na carreira publicitária eram atraídos pelo charme de trabalhar na área de criação de agências estreladas, no departamento comercial de empresas poderosas ou no setor de marketing de grandes veículos e anunciantes.

A nova realidade, no entanto, aponta para caminhos recém criados dentro da comunicação integrada. Os profissionais que acabam de sair das escolas ingressam em atividades que até bem pouco tempo inexistiam no mercado. São produtores, organizadores de eventos, webmasters, consultores e uma infinidade de outras atribuições oferecidas a partir de um mergulho no mundo virtual.

Os números comprovam a nova atmosfera que envolve a propaganda. Uma pesquisa regular feito pelo Cintegra, departamento da ESPM responsável por monitorar a integração de seus ex-alunos no mercado de trabalho, revela que 75% dos recém-formados em Comunicações Sociais e 82% saíram do curso de administração de empresas estão empregados, só que a maior parte assumiu funções antes inexistentes no setor. Apenas 12% estão em agências de propaganda. O mercado exige versatilidade dos profissionais.

Esta diversificação de destinos dos formandos em Comunicações Sociais e Administração de Empresas vêm acompanhados de uma série de novas palavras e terminologias que integram o cotidiano do profissional do futuro, como nativos digitais, instant messengers, video on demand, DVR´s, TiVo, marketing viral, SMS, games, mobile marketing, blog, iPod, Digital Trust Zone, metrosexuais, moeda social, web-entertainment, etc.

Para atender a esta nova postura da indústria da comunicação, não basta apenas o trabalho das agências de propaganda. É necessária Integração multi-empresarial e setorial, onde é irrelevante se a condução das operações será da agência ou do cliente. O que se procura são soluções inovadoras, não importa de onde elas venham. O cliente quer resultado. As idéias espetaculares são bem-vindas desde que tragam benefícios concretos.   

Essa nova tendência já uma realidade no consagrado festival de publicidade de Cannes. Antes conhecido por ser uma passarela de egos, vaidades e prêmios voltados para a criação de comerciais geniais, o evento mostrou na sua última edição uma diversidade de atividades voltadas para o mundo da comunicação. Só para se ter uma idéia deste universo multifacetado, os 4995 comerciais exibidos na mostra representavam apenas 22,6% do total de peças que estavam em busca do leão de ouro. O restante material, que também estava em busca de reconhecimento internacional, foi diluído em inúmeras categorias.

A propaganda hoje é uma profissão igual a muitas outras. Só que agora vive um momento de inquietação. O mercado ainda se adapta às novas ferramentas que as novas tecnologias oferecem aos profissionais do setor. O desafio de dominar os recém-criados instrumentos, além de transformá-los em peças criativas, faz da carreira um passaporte para um futuro brilhante.

 

Emmanuel Publio Dias é Diretor Corporativo e professor da ESPM (epubliodiass@espm.br)




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