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O marketing a serviço da religião

No ocaso do império romano, quando os velhos deuses e os valores tradicionais já estavam abalados, floresceram em Roma várias religiões vindas dos quatro cantos do império. Houve um momento em que o maniqueísmo chegou perto de  tornar-se a religião oficial, mas o cristianismo prevaleceu afinal, graças à transcendência de sua mensagem que ia muito além da felicidade neste mundo. Hoje ocorre no Brasil e em outros países uma efervescência religiosa comparável, mas com duas grandes diferenças: Trata-se de uma competição entre as próprias denominações cristãs e a ênfase dos competidores está na mudança de comportamento, mais do que em novos valores e crenças.

Os líderes religiosos que ouvimos não gostam de falar em marketing religioso, para definir esta competição entre eles. Preferem falar de comunicação e dizem que o uso da televisão foi decisivo para provocar a autêntica revolução que presenciamos na religião. Mas não há dúvida de que se trata realmente de marketing da melhor qualidade. As igrejas neopentecostais, principalmente, fazem uma cuidadosa segmentação de seu público alvo, adaptam o discurso às expectativas desse público, cuidam pela “estrutura de distribuição”, através de milhares de templos e não esquecem de uma sólida política de preços. Sabe-se que 44% de seus fiéis pagam dízimo regularmente e as normas para fixar estes dízimos fariam inveja a qualquer diretor financeiro.

Todos reconhecem que os neopentescostais interpretam as necessidades do homem moderno melhor do que as igrejas tradicionais. Isto lhes permite crescer rapidamente às custas da religião católica, ainda majoritária. No longo prazo uma nova tendência começa a surgir. Um sincretismo crescente que aproxima cada vez mais o discurso de todas as denominações cristãs. Estaremos caminhando para uma nova super-religião, voltada especialmente para as necessidades das grandes massas? Só o futuro nos dirá, mas tudo aponta nesta direção.

 

Francisco Gracioso
Presidente do Conselho Editorial