O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou, em 22 de janeiro, a criação do chamado Conselho de Paz em Gaza (NCAG), com o objetivo de intervir no conflito entre Israel e Hamas e coordenar a reconstrução do território, com base em um acordo endossado pelo Conselho de Segurança da ONU em novembro de 2025. A iniciativa, no entanto, gerou forte controvérsia no cenário internacional.
Em entrevista à IstoÉ, a professora de Relações Internacionais da ESPM, Denilde Holzhacker, avalia que Trump transformou o Conselho de Paz em um órgão personalista, centrado em sua própria liderança, quase rivalizando com a estrutura da ONU, tradicionalmente responsável por processos institucionais e multilaterais de construção da paz.
Segundo a especialista, havia um ideal de peacebuilding fundamentado no multilateralismo, como ocorreu em outros contextos pós-conflito, mas essa lógica acaba enfraquecida com a nova iniciativa. Holzhacker afirma ainda que Trump tem como principais objetivos fragilizar o sistema multilateral e criar uma organização alinhada aos interesses dos Estados Unidos.
No contexto do Oriente Médio, a professora destaca que a proposta prioriza uma solução de caráter econômico para Gaza, possivelmente financiada por países como Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, em detrimento de uma abordagem geopolítica mais ampla. Esse movimento, segundo ela, reforça o papel dos EUA como potência global e tende a ampliar tensões e incertezas no sistema internacional.
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