Guerras, crises internacionais e mudanças nas políticas comerciais fizeram a atuação na área ganhar ainda mais importância
Nos últimos anos, a diplomacia corporativa tem se consolidado como uma ferramenta estratégica para empresas que estão inseridas em um mundo marcado por conflitos geopolíticos, disputas comerciais e transformações tecnológicas.
Apesar do conceito tradicional de diplomacia estar associado às relações entre Estados, as organizações públicas e privadas também passaram a adotar práticas diplomáticas para defender os seus interesses, abrir mercados e minimizar riscos.
Segundo Alexandre Uehara, Coordenador da Graduação Bacharelado em Relações Internacionais da ESPM, esse profissional pode atuar tanto em órgãos públicos quanto em empresas privadas e organizações multilaterais, representando interesses institucionais e construindo pontes de diálogo entre diferentes atores.
“Estamos falando de alguém que pode fazer negociações em diferentes frentes”, afirma Uehara. Neste contexto, a diplomacia digital amplia as possibilidades de atuação porque facilita conexões globais e acelera processos de negociações.
Conflitos globais
Fatores como guerras, crises internacionais e mudanças nas políticas comerciais elevaram a relevância da diplomacia corporativa dentro das organizações, já que a capacidade de antecipar riscos e encontrar soluções tornou-se algo indispensável na competitividade empresarial.
De acordo com Uehara, conflitos como a guerra entre Rússia e Ucrânia demonstraram como eventos geopolíticos podem afetar diretamente cadeias produtivas e o abastecimento de mercados. Outro exemplo é a rivalidade entre Estados Unidos e China, que também contribuiu para ampliar o papel da diplomacia digital e da diplomacia corporativa.
O professor avalia que o Brasil ocupa uma posição bastante sensível nesse cenário por manter relações econômicas relevantes com as duas maiores potências do planeta: “O diplomata corporativo vai ter que saber lidar com esse tipo de situação, negociar com os dois lados e manter os interesses de uma empresa sem perder a boa relação com ambos”.
Competências valorizadas
Dentre as competências que são valorizadas para aqueles que desejam seguir na carreira, Uehara lista:
- a capacidade de argumentação;
- a comunicação eficiente;
- e a busca constante por informações.
Ele ressalta ainda que um negociador precisa dominar dados e argumentos para que possa defender posições e construir consensos. Já habilidade da comunicação tem um papel fundamental no processo de influência e persuasão.
Rotina
O dia a dia de um diplomata corporativo envolve desde a prospecção de novos mercados até a construção de parcerias internacionais e negociações relacionadas à inovação. O coordenador cita como exemplo as articulações globais realizadas durante a pandemia da Covid-19 com o objetivo de viabilizar o desenvolvimento e a transferência de tecnologias relacionadas às vacinas.
Além disso, ele acredita que o contato pessoal segue sendo essencial. “Ir até a China, ir até a Índia para conversar pessoalmente é um ponto importante”, observa.
O mercado de trabalho atualmente é marcado por mudanças rápidas e dificilmente seguirá um caminho linear, por isso, Uehara recomenda que os interessados sigam uma trajetória alinhada aos interesses pessoais e à capacidade de adaptação.
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