Estudo aponta caminhos para marcas criarem produtos mais inclusivos para pessoas com deficiência visual

Estudo aponta caminhos para marcas criarem produtos mais inclusivos para pessoas com deficiência visual

Pesquisa realizada por professores da ESPM mostra que acessibilidade deve ser considerada desde o desenvolvimento dos produtos

 

 

Rótulos táteis, embalagens mais fáceis de manusear, descrições detalhadas, desempenho e o uso de tecnologias são alguns dos caminhos que podem ajudar marcas a desenvolver soluções mais inclusivas para pessoas com deficiência visual. As recomendações fazem parte do estudo denominado “Pontos cegos no design de produtos: a interação entre escolhas utilitárias e hedônicas, processos psicológicos e estratégias de varejo para consumidores com deficiência visual”, realizado por professores da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

 

A pesquisa identificou que pessoas com deficiência visual tendem a valorizar mais características funcionais e informações que facilitem a compreensão e a comparação dos produtos, enquanto consumidores sem deficiência visual respondem mais a aspectos ligados à estética, à experiência e ao prazer. Os resultados reforçam a importância de considerar a acessibilidade desde as primeiras etapas de desenvolvimento de produtos.

 

O estudo é assinado por Bruno Veneziano Cornacchioni, Flávio Santino Bizarrias, Evandro Luiz Lopes e Marcelo Luiz Dias da Silva Gabriel, da ESPM, e Ricardo Limongi, da Universidade Federal de Goiás (UFG). Ao longo de três experimentos, os pesquisadores investigaram como o acesso limitado às informações visuais influencia a avaliação e a escolha de produtos.

 

Em uma das etapas, que reuniu 104 participantes, os pesquisadores analisaram o benefício percebido de diferentes atributos na avaliação dos produtos. Em outro experimento, entre 31 participantes com deficiência visual, 23 escolheram a versão mais funcional do produto e oito optaram pela alternativa voltada à experiência sensorial. Na comunicação, 24 preferiram uma abordagem informativa e sete escolheram a sensorial.

 

“A pesquisa mostra que inclusão também passa pela forma como os produtos são pensados e apresentados. Informações claras sobre características, funcionamento e benefícios ajudam a reduzir dúvidas e dão mais autonomia para a escolha. Para as empresas, isso significa considerar a acessibilidade desde o desenvolvimento do produto, e não apenas no momento da venda”, afirma Bruno Veneziano Cornacchioni, mestre pelo Programa de Pós-Graduação Profissional em Marketing e Comportamento do Consumidor, Stricto Sensu, da ESPM.

 

 

Inclusão desde o desenvolvimento

A pesquisa amplia uma discussão que costuma estar concentrada na acessibilidade de lojas, sites e outros pontos de contato com o consumidor. Para os autores, envolver pessoas com deficiência visual desde a criação e o teste de novas soluções pode contribuir para identificar necessidades que nem sempre são percebidas durante o desenvolvimento.

“Não se trata de dizer que pessoas com deficiência visual não valorizam marcas ou experiências sensoriais. O resultado mostra que informações que ajudam a entender, comparar e confiar no produto ganham relevância na decisão. Ouvir esse consumidor desde o início pode levar a soluções mais acessíveis e, ao mesmo tempo, melhores para diferentes públicos”, completa Cornacchioni.

 

 

Ciência em Foco ESPM

 

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Foto de Isabela Moreira
Isabela Moreira
Repórter do Núcleo de Conteúdo da ESPM
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