Em entrevista, a professora compartilha seus planos para o curso de Ciência de Dados e Negócios da ESPM, a aproximação desta graduação ao mercado e a importância das soft skills para a área de tecnologia
As artes de aprender e ensinar sempre estiveram presentes na vida de Lucy Mari Tabuti, a nova Coordenadora do curso de Ciência de Dados e Negócios da ESPM. Na infância, ela queria ser igual à mãe, que dava aulas de reforço de português e matemática, e ao pai, engenheiro eletrônico.
No fim, a inspiração veio de ambos os lados: a partir da graduação em matemática, trabalhou como analista de sistemas até decidir se dedicar ao ensino. “Fui dando aulas e vi que isso me enchia de alegria e propósito”, diz Lucy. “Não é só ser professora, é a arte de ensinar. Mas com o propósito de que o ensino e a aprendizagem vão mudar o mundo.”
Presidente do Instituto Criativo e Diretora de Patrocínios da Maratona SBC de Programação, ela já lecionou em universidades como Anhembi Morumbi, FIAP, PUC e FECAP. A seguir, Lucy conta seus planos para a coordenação de Ciência de Dados e Negócios da ESPM, sua visão sobre o mercado de tecnologia e a importância das soft skills na formação acadêmica.
Qual é a sua proposta para o curso de Ciência de Dados e Negócios da ESPM?
Eu trago para o curso a proposta de ter, todo semestre, projetos em que os estudantes desenvolvam desafios trazidos por empresas. Durante esse período, eles serão avaliados tecnicamente e, ao final, também como negócio. Eles terão que trabalhar em equipe, resolver problemas, desenvolver pensamento crítico, raciocínio lógico, adaptabilidade, criatividade e outras soft skills. É um movimento muito com a cara do mercado, com o que ele busca.
Por que as soft skills são importantes para profissionais da área de tecnologia especificamente?
Quando converso com o RH de empresas de tecnologia, como IBM, Oracle, Microsoft, AWS, BTG e Red Hat, gosto de perguntar qual é o perfil dos profissionais que buscam. A resposta é: um profissional completo. O mundo mudou e a forma de criar soluções em tecnologia também. Quanto mais rápido, melhor, tanto para os profissionais quanto para os clientes. Só que, para fazer isso, os profissionais de tecnologia precisam estar em comunicação com o pessoal de negócios, os clientes e os usuários o tempo todo. E, para isso, precisam de soft skills.
Como você vê o mercado de tecnologia hoje no Brasil? Quais são alguns dos principais desafios e oportunidades na formação de novos profissionais para essa área?
Nas minhas conversas com empresas de tecnologia, o que mais vejo é a IA fazendo tarefas operacionais. A gente ainda precisa de profissionais que pensem fora da caixa, que tenham muito raciocínio lógico e computacional para conseguir enxergar os problemas — e aí sim usar a IA para desenvolver soluções. Hoje, nenhuma área sobrevive sem tecnologia. Não só no Brasil, como no mundo inteiro, faltam profissionais qualificados nessa área.
O que significa para você assumir esse cargo na ESPM?
É um reconhecimento. Estudei muito, fiz mestrado, doutorado e vou fazer um pós-doc. Mas não é só sobre isso: meu trabalho voluntário em maratonas de programação me conectou a grandes professores e doutores das melhores universidades do Brasil. Também fez com que eu me relacionasse com empresas e entendesse a real necessidade do mercado. Isso e, talvez, a minha criatividade de “vamos fazer algo a mais, coisas diferentes, desenvolver competências e habilidades que fazem sentido para os estudantes, academicamente e profissionalmente”.
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