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Pesquisa aplicada: o que é e como funciona

Entenda como a colaboração entre universidade e empresas pode resolver problemas complexos e gerar inovação 

 

Sua empresa enfrenta um desafio que parece não ter solução? Muitas vezes, a resposta não está dentro do escritório, mas na ponte entre o mercado e a universidade. É aí que entra a pesquisa aplicada, unindo o rigor científico à prática de negócios para encontrar soluções práticas. 

 

 

O melhor dos dois mundos 

No episódio 118 do Lifelong Cast, podcast da ESPM voltado ao futuro do trabalho e dos negócios, Priscila Rezende da Costa, Professora de Pós-Graduação em Administração e Coordenadora do NIT da ESPM, explicou que a pesquisa aplicada funciona como uma ponte: de um lado está a universidade, com seu conhecimento aprofundado e rigor metodológico, do outro está o mercado, com sua urgência e desafios práticos. 

 

Segundo a coordenadora, o ponto de partida é sempre um desafio real: “A pesquisa aplicada parte do princípio de uma dor de mercado, ou seja, o que a sociedade precisa em termos de mercado, em termos de questões que geram dores para a sociedade”. O objetivo é usar o conhecimento científico para resolver uma “dor de mercado”, seja um desafio de gestão, uma necessidade de inovação ou uma melhoria de processos. 

 

Conheça os dois tipos de pesquisa e suas diferenças: 

  • Pesquisa tradicional: focada em expandir o conhecimento sobre um tema a longo prazo, sem uma aplicação comercial imediata; 
  • Pesquisa aplicada: parte de um problema concreto de uma organização e busca gerar uma solução aplicável em um horizonte de curto a médio prazo. 

 

 

Inovação aberta e a trindade da pesquisa 

Para uma empresa, a busca solitária pela inovação pode ser um processo caro e arriscado, conhecido como inovação fechada. A pesquisa aplicada opera no modelo de inovação aberta: ao colaborar com uma universidade, a empresa divide os riscos, acessa talentos e infraestrutura, e aumenta as chances de obter um retorno alinhado às suas necessidades. 

 

Essa colaboração se torna ainda mais forte quando um terceiro pilar entra em cena: a união entre universidade, empresa e Governo (através de agências de fomento). O trio forma um ecossistema que aumenta exponencialmente as chances de sucesso de projetos de inovação. 

 

 

O processo da pesquisa aplicada 

A identificação de um problema no negócio se transforma em um projeto de pesquisa as partir de quatro etapas principais: 

 

  1. Diagnóstico da “dor”: começa com a empresa apresentando um problema que não consegue resolver internamente; 
  2. Tradução para um problema de pesquisa: fase mais crítica, na qual a equipe de especialistas da universidade ajuda a refinar o desafio de mercado. “É importante que haja um ajuste de linguagem, um ajuste contratual e principalmente essa questão do senso de urgência, justamente para entregar conhecimento científico e a prática e as soluções tecnológicas ou de gestão”, afirmou a professora; 
  3. Desenho da pesquisa e teste de hipóteses: com o problema definido, são levantadas hipóteses e desenhada uma metodologia (quantitativa, qualitativa ou mista) para validá-las; 
  4. Entrega da solução: o resultado se materializa em diagnósticos, insights e recomendações estratégicas para o cliente, gerando valor real para o negócio. 

 

 

Da teoria à prática 

No Instituto Científico Tecnológico (ICT) da ESPM, a teoria e a prática se encontram em desafios reais de mercado. Costa citou alguns exemplos de projetos que ilustram essa parceria: 

 

  • Mercado financeiro: um grande banco varejista precisava entender o comportamento de investimento do público jovem. A pesquisa gerou insights para a empresa ajustar sua comunicação e seu portfólio de produtos; 
  • Bens de consumo: uma empresa de cosméticos com dificuldades em uma linha de produtos usou a pesquisa aplicada para entender a percepção do consumidor e redefinir a estratégia da marca; 
  • Mercado pet: uma empresa do segmento buscou a ESPM para estudar o fenômeno da “humanização” dos animais de estimação e como isso impactava as decisões de compra de seus clientes. 

 

Em um cenário de negócios cada vez mais complexo, a pesquisa aplicada deixa de ser um diferencial acadêmico e se torna uma ferramenta estratégica essencial. É o caminho para que empresas possam tomar decisões mais inteligentes, baseadas em dados e análises profundas, transformando desafios em oportunidades. 

 

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Antonio Correa
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