Estudo divulgado pelo Ciência em Foco, da ESPM, revela que troca de conhecimento, apoio a empreendedores e trabalho em rede ajudam a transformar criatividade em produtos inovadores
Grandes ideias não surgem apenas do talento individual ou de equipes criativas dentro das empresas. Elas também são resultado da troca de experiências entre profissionais, do apoio a empreendedores e de ambientes que estimulam a colaboração. Essa é uma das principais conclusões do estudo Institutional Antecedents of Creativity and Product Innovation in the Digital Cultural Industries, publicado na revista científica Creativity and Innovation Management, dos professores Irina Mihailova, da University of Eastern Finland, e Silvio Luís de Vasconcellos, da ESPM.
A pesquisa integra o Projeto Ciência em Foco, iniciativa da ESPM que divulga estudos desenvolvidos por seus professores e pesquisadores sobre temas relevantes para a sociedade, os negócios e a inovação.
O estudo analisou empresas finlandesas dos setores de jogos digitais e educação digital, áreas reconhecidas pela capacidade de criar soluções inovadoras. Os resultados mostram que a criatividade cresce quando profissionais compartilham conhecimento, trocam experiências e participam de redes de colaboração.
Além disso, iniciativas como apoio a startups, programas de internacionalização e incentivos à inovação ajudam a transformar boas ideias em novos produtos e negócios. Segundo Vasconcellos, muitas empresas ainda enxergam a criatividade como algo que acontece apenas dentro de seus escritórios. “A criatividade costuma ser vista como um processo interno das empresas. Nossa pesquisa mostra que ela também nasce das conexões entre pessoas, organizações e instituições. Quando existe um ambiente que favorece a colaboração e a troca de conhecimento, as chances de surgirem soluções inovadoras aumentam significativamente”, diz.
Outro resultado importante é que a colaboração entre profissionais de diferentes áreas pode ser tão importante para a inovação quanto o trabalho realizado dentro das equipes formais das empresas. Empreendedores, desenvolvedores, educadores e outros especialistas ajudam a criar um fluxo constante de ideias que favorece o surgimento de novos produtos e serviços.
A pesquisa também identificou que a reputação de um país pode influenciar a confiança dos profissionais em sua capacidade de inovar. Na Finlândia, por exemplo, o reconhecimento internacional nas áreas de educação e tecnologia contribui para estimular novos projetos e negócios voltados ao mercado global. Para Evandro Luiz Lopes, Diretor Acadêmico de Pesquisa e Pós-Graduação Stricto Sensu da ESPM, os resultados oferecem aprendizados importantes para países que desejam fortalecer a inovação e a competitividade: “O estudo mostra que a inovação não acontece de forma isolada. Ela depende da combinação entre talento, colaboração, apoio institucional e investimentos. Quanto mais conectado for o ambiente em que empresas e profissionais atuam, maiores são as oportunidades de criar soluções com impacto econômico e social”.
Os pesquisadores destacam ainda que universidades, governos, empresas e organizações de apoio ao empreendedorismo têm papel importante nesse processo. Quando esses atores trabalham de forma integrada, criam condições mais favoráveis para o desenvolvimento de ideias, negócios e tecnologias.
Embora tenha sido realizado com empresas das indústrias culturais digitais, o estudo aponta que as conclusões podem ser aplicadas a diversos setores da economia que dependem de criatividade, conhecimento e inovação para crescer.
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