Nós Nascemos ou nos Tornamos Criativos?
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Nós Nascemos ou nos Tornamos Criativos?

Quando falamos sobre a criatividade de indivíduos, o debate é extenso. Há tempos existe a discussão sobre a capacidade criativa ser inata ou ser uma competência a se desenvolver, como tantas outras.

A divergência de opiniões neste assunto é grande, inclusive nas empresas. Elas encaram a criatividade a partir de ambas as visões – a exemplo da minha pesquisa sobre a criatividade em escritórios de arquitetura, em que parte deles alega que contrata apenas arquitetos com a “veia criativa”, enquanto outros afirmam que a criatividade é uma competência que deve ser desenvolvida.

Hoje, vamos focar em três elementos que alimentam a criatividade humana enquanto competência, apresentados por Teresa Amabile: a expertise, as habilidades de pensamento criativo e a motivação.

A expertise é, em resumo, conhecimento. Esse conhecimento pode ser intelectual, técnico, processual ou vivencial. Isso significa que um dos três pilares para a criatividade humana tem diversas origens, como a educação formal, a educação informal, a experiência profissional e até mesmo o lazer.

Um exemplo da importância da expertise está nas entrevistas da minha pesquisa, em que alguns escritórios premiam seus arquitetos com viagens internacionais com o objetivo de que eles entrem em contato com outras culturas, outros comportamentos humanos e, mais importante, diferentes obras arquitetônicas, para alimentar a inspiração.

Já as habilidades de pensamento criativo estão em alta no mercado, com instituições de ensino atentas às necessidades e oferecendo cursos de capacitação (a exemplo da ESPM, com o curso de “Técnicas de Ideação e Estímulo à Criatividade” – http://www2.espm.br/cursos/ead/tecnicas-de-ideacao-e-estimulo-criatividade).

Essas técnicas são relevantes para que os profissionais pensem “fora da caixa” e se permitam criar soluções flexíveis e inovadoras para problemas existentes. Grande parte dessa competência está voltada para estimular o pensamento fora dos moldes sociais existentes, permitindo que os profissionais extrapolem os limites esperados.

O terceiro pilar de sustentação da criatividade humana é a motivação. Para diversos autores, a motivação é o coração da criatividade, já que é uma atividade mais intuitiva que racional. Um exemplo da importância da motivação é pensarmos a eficácia de duas situações: profissionais forçados a serem criativos em frente a um computador durante horas, ou aqueles insights que acontecem em momentos inesperados, em qualquer lugar e hora.

A motivação ainda pode ser dividida em dois tipos. Por um lado, temos a motivação extrínseca: estimulada por fatores externos e com um efeito superficial e passageiro. É possível observar diversas ações de empresas que estimulam a criatividade a partir de artifícios, como dinheiro e prêmios como únicos elementos relevantes.

Por outro lado, temos a motivação intrínseca. Esse tipo de motivação é a base da criatividade, e pode ser resumido em duas palavras: paixão e inspiração. O ponto mais interessante da motivação intrínseca é a sua autonomia, ou seja, a criatividade é pouco influenciada por estímulos pontuais.  Porém, o ambiente de trabalho e a qualidade de vida são dois elementos importantes, já que o profissional realizado e satisfeito com os seus arredores se torna naturalmente mais criativo e, consequentemente, mais eficiente.

Em suma, esses três pilares da criatividade são o coração do desenvolvimento profissional em diversas áreas, principalmente por que vivemos em um contexto em que a busca rápida por soluções é cada vez mais valorizada. E, nisso, vale uma reflexão: até que ponto estimulamos esses pilares em nós mesmos, nas nossas equipes e nas nossas empresas? Afinal, temos que ser criativos para estimular a criatividade nos outros.

Esse é um dos temas tratados pela ESPM na Pós-Graduação em Modelos de Negócios na Indústria Criativa. Mais informações no: www.espm.br/economiacriativa.

 

Caio Bianchi é professor na Pós-Graduação da ESPM, doutorando em inovação internacional (PMDGI/ESPM) e pesquisador especialista sobre gestão de criatividade, inovação, empreendedorismo e negócios internacionais.

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