(Startups) Unicórnio: O que são, o que comem e onde vivem?
Home Empreendedorismo

(Startups) Unicórnio: O que são, o que comem e onde vivem?

Falar de startups não é novidade, principalmente porque São Paulo foi considerado o 12º mercado mais promissor do setor do mundo pelo The Global Startup Ecosystem Ranking.

No mesmo ranking, como esperado, o Vale do Silício, Nova York e Los Angeles são os três mercados mais promissores, respectivamente.

Mas afinal, o que são startups? Em uma definição objetiva, são um tipo de empresa que se diferencia das empresas tradicionais em três aspectos: uso intensivo de tecnologia, estrutura enxuta e inovação no modelo de negócio. A fusão desses aspectos permite que startups cresçam, em média, 200% ao ano – em comparação a empresas tradicionais que crescem 20% em média.

Agora que entendemos as principais características de startups, vale explorar o que são startups unicórnio. A nomenclatura, inspirada na “raridade” do ser mitológico, é dada para um grupo seleto de startups que passam por um crescimento exponencial, alcançando a avaliação de US$ 1 bilhão por uma agência de capital de risco. Apesar de a lista de unicórnios variar diariamente, principalmente por conta de aquisições e IPOs, há aproximadamente 200 delas no mundo.

Dessa lista, algumas startups já fazem parte do nosso cotidiano, como o Uber, Xiaomi, Airbnb, Snapchat, Pinterest, Spotify, Dropbox e SurveyMonkey. Com apenas estes nomes, já é possível observar três características: tecnologia (todas contam com apps como principal canal de distribuição, à exceção da Xiaomi), estrutura (escritórios enxutos com colaboradores de alta eficiência) e inovação no modelo de negócio (a maioria foi, de certa maneira, responsável por inaugurar um nicho no mercado).

Apesar de a lista possuir “velhos” conhecidos, um aspecto tem chamado a atenção: as startups estão se tornando unicórnio em um período cada vez menor. De acordo com o site “The Speed of a Unicorn”, especializado em mensurar o tempo que startups levam para se transformar em unicórnios, podemos destacar três empresas.

A startup Jet.com, site de compras que possui um algoritmo de preço dinâmico, levou apenas quatro meses entre o lançamento e a avaliação em US$ 1 bilhão. A BeiBei, site que vende artigos para mães e filhos, alcançou essa avaliação em 10 meses. Já a 58 Daojia, uma rede social exclusiva para mães, levou 1 ano e 3 meses.

O tempo para as startups se transformarem em unicórnios é pequeno, e fica ainda menor se compararmos com algumas gigantes líderes da lista de unicórnios mais valiosos. O Airbnb, por exemplo, levou 3 anos para alcançar a marca. O Dropbox, 4 anos. Já o Uber, que manteve a posição de startup mais valiosa do mundo, levou 4 anos e 6 meses. Apesar de as gigantes estarem na média geral, vemos a força de startups que crescem a uma taxa 400% maior.

Mas, afinal, como essas empresas se transformam em unicórnios? Quatro estratégias em comum ajudam a explicar: 1) passam por um crescimento exponencial na participação de mercado; 2) seu potencial é impulsionado por altíssimos investimentos de risco; 3) não buscam necessariamente o lucro no primeiro momento; 4) buscam prioritariamente a escala e alcançar o maior número possível de consumidores.

Outro fator deve ser observado sobre os unicórnios atuais: 25% deles são asiáticos (concentrando-se na China). Apesar de a maioria dos demais 75% se concentrar na América do Norte (a exemplo da maioria das gigantes), a taxa de crescimento de startups unicórnio asiáticas é expressivamente maior (a exemplo de duas das três que alcançaram a marca mais rapidamente).

O Brasil conta com apenas uma startup unicórnio: a Decolar. Porém, tanto as três características quanto as quatro estratégias aqui apresentadas podem servir de guia para empreendedores que buscam transformar startups em unicórnios. Não há dúvidas de que o caminho é árduo, porém uma formação sólida sobre empreendedorismo, gestão de projetos, criatividade e inovação certamente facilitam a criação de unicórnios tupiniquins.

 

Caio Bianchi é professor na Pós-Graduação da ESPM, doutorando em inovação internacional (PMDGI/ESPM) e pesquisador especialista sobre gestão da criatividade, inovação, empreendedorismo e negócios internacionais.

Translate