“O jovem não pode ir para um processo seletivo para se encaixar”, diz presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos
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“O jovem não pode ir para um processo seletivo para se encaixar”, diz presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos

Paulo Sardinha e outros profissionais de recrutamento, comunicação e psicanálise participaram de um painel sobre pluralidade e construção de carreiras no Supernova, Summit de Comunicação da ESPM.

“O jovem hoje tem que ser mais firme. Não pode ir para um processo seletivo para se encaixar.” A afirmação é de Paulo Sardinha, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-Brasil). O executivo participou de um painel sobre pluralidade e construção de carreiras no Supernova, Summit de Comunicação da ESPM.

De acordo com Sardinha, as organizações estão errando nos processos seletivos por buscarem profissionais de uma maneira “pré-definida” que mina a pluralidade. “Estamos perdendo vários talentos porque não queremos reconhecer como as pessoas podem contribuir com a organização do jeito que elas são”, disse o diretor da ABRH-Brasil. “Talvez estejamos em um momento da história que os jovens possam influenciar de uma maneira muito marcante nessas empresas.”

O executivo diz ter percebido esse equívoco nos processos de seleção durante uma viagem para Lisboa, Portugal. “Eu estava em um restaurante e vi que os jovens que trabalhavam lá estavam muito alegres. Chamei uma atendente e perguntei o motivo de ela estar tão feliz, ela respondeu: ‘Porque aqui me permitem ser quem eu sou’”, lembra o executivo. “Eu gelei. Lembrei que nas empresas em que atuei no RH disse que tínhamos que criar uma cultura que deveria ser referência para trazer pessoas que tivessem adesão. Percebi ali que estamos fazendo coisas erradas há muito tempo.”

Jonas Furtado, diretor de conteúdo do Grupo Meio & Mensagem, também acredita que os processos seletivos precisam de melhorias. “Acho que são muito engessados e não compõem a pluralidade de uma equipe. Precisamos ter pessoas diferentes, com formações diferentes e de regiões diferentes”, afirmou o jornalista. Furtado ressalta também que a falta de oportunidades no mercado dificulta que os jovens escolham onde querem começar a carreira. “É uma realidade cruel. Muitas vezes ele pega a primeira coisa que aparece. Um emprego hoje é um prêmio”.

Assim os estudantes que conseguem uma oportunidade acabam ficando engessados em um período em que deveriam experimentar. É o que explicou Adriana Gomes, líder do programa de integração Nacional de Carreiras da ESPM. “O estágio é uma excelente oportunidade para ter experiências. Mas nesse mundinho de poucas oportunidades, os jovens se agarram ao estágio como se fosse a oportunidade da vida”, afirmou a coach. Ela sugeriu que os estudantes não vejam o estágio como o fim da carreira, mas sim como o começo dela.

Apesar disso, Tatiana Pina, consultora do Grupo Cia de Talentos, afirma que os estudantes devem também aprender a lidar com as frustrações. “Muitas vezes vejo gente que pede demissão de um estágio em apenas dois meses porque o chefe pediu para fazer algo que essa pessoa não quer”, disse a especialista. “É preciso aprender a lidar com as frustrações, ter um pouco de resiliência e protagonismo para ficar um tempo um pouco maior no estágio. Esse tempo varia de pessoa para pessoa.”

Para saber se é hora de buscar algo novo, os profissionais devem investir em autoconhecimento. “Como psicóloga, digo que o autoconhecimento é fundamental. Nossas escolhas são baseadas nisso”, comentou Tatiana. “Se eu não tenho essa percepção, não consigo fazer escolhas assertivas. Isso nos ajuda a saber qual o nosso limite e qual a hora de fazer transições.”

Os especialistas destacam que candidatos que não se conhecem bem costumam tropeçar nos processos seletivos. Principalmente, quando ouvem o tradicional pedido: “Me fale um pouco sobre você”. “Alguns jovens travam”, afirmou Tatiana. “Quem ouve alguém patinando nessa pergunta já acha que não vai dar certo”, complementou Adriana. “À medida que me conheço consigo traduzir melhor as minhas ambições, ajudo o outro a entender minimamente quem eu sou.”

De acordo com Adriana, ferramentas como workshops, coaching e estímulos podem ajudar no exercício do autoconhecimento. Mas esse processo não depende apenas da ação de terceiros. “Esse exercício de voltar a si próprio, de se autoestudar, depende muito da vontade da própria pessoa.”

O autoconhecimento também poderá ajudar o profissional a decidir qual caminho seguir na carreira. Por exemplo, se um estudante irá optar pela busca de um estágio, um programa de trainee ou por tocar o próprio negócio. “Tem ganhos e perdas em ambos os caminhos. Essa escolha depende do que é mais valioso para você”, comentou Marcel Viganô, psicanalista e empreendedor. “Minha sugestão é que o estudante vá conversar com empreendedores e executivos. E depois disso ver o que faz mais sentido para ele.”