Saiba como o “ócio criativo” pode reduzir o estresse, aumentar a concentração e atuar como antídoto para o burnout
Descanse sem culpa e entenda a importância do lazer para a sua carreira: reservar momentos para o lazer não é apenas uma questão de bem-estar passageiro, mas uma estratégia fundamental para cuidar da sua saúde mental e da sua carreira.
No episódio 104 do Primeira Jornada, o podcast da ESPM que te prepara para o mercado de trabalho, Maria Cláudia Tardin Pinheiro, Coordenadora do Programa de Intervenção Pedagógica no Aprendizado da ESPM-Rio, destrinchou os benefícios do lazer e como ele impacta na sua capacidade de resolver problemas.
Confira abaixo:
Lazer criativo x lazer de consumo
Nem todo descanso tem o mesmo efeito no cérebro. Segundo Pinheiro, há dois tipos:
- lazer de consumo: é passivo, onde você apenas recebe a história do outro. Exemplos: assistir a um filme ou série, mexer nas redes sociais;
- lazer criativo: é ativo e transformador, engloba atividades como desenhar, escrever, cozinhar e tocar música.
De acordo com a coordenadora, é no lazer criativo que ocorre a “sublimação”, um processo essencial para a saúde emocional: “Quando você sublima em criatividade as suas questões, você está elaborando uma série de emoções que você nem tem noção”.
“Isso se dá de forma inconsciente, é como no sonho. Então é super terapêutico, um lazer criativo e não um lazer consumista da criatividade do outro.”
Antídoto
A sociedade vive sob uma pressão constante por resultados perfeitos, o que gera um estado de ansiedade permanente. “Existem ideais muito elevados de eficácia, qualidade total, zero defeito. Isso leva ao burnout, à doença”, destacou.
“A gente tem que entender a loucura dessa cultura e nos lembrar ‘isso aqui eu dou conta de fazer hoje’.”
Essa mentalidade de “eficácia total” traz alguns perigos: como o lazer atua como uma válvula de escape para recuperar o equilíbrio do corpo e da mente, é necessário buscar formas de nos equilibrarmos energeticamente. Para a Pinheiro, isso inclui atividades como ouvir música, movimentar o corpo e entrar em contato com a natureza.
Saia do celular
Para quem estuda, o lazer e as pausas também influenciam o foco. Pinheiro defendeu que atividades manuais simples (como desenhar ou fazer tricô) durante uma aula podem ajudar na concentração auditiva, servindo como um “fio condutor” para a atenção.
O mesmo não vale para o celular. “Ao se distrair em outro conteúdo, fica impossível ter concentração direito numa coisa e na outra”, afirmou ela. “E eu observo isso: quando estou explicando alguma coisa, os alunos estão olhando para um conteúdo de internet e não ouvem o que eu falei.”
Dica de mestre
Ao final do episódio, Pinheiro deixou uma reflexão para a carreira e a vida. Enquanto “sonhar” muitas vezes representa o desejo de um modelo de sucesso externo e impostos pela cultura, “despertar” significa olhar para dentro e reconhecer suas verdadeiras ferramentas e habilidades.
“Desperte e não sonhe. Despertar é ouvir esse mundo criativo interno. Olhe para dentro, que é o despertar; olhar para fora, como diz, é sonhar. Sonhar às vezes depende do outro, que você não tem alcance.”
Confira o episódio completo e descubra como equilibrar sua rotina: