O setor do varejo alimentar cresce no Brasil e no mundo. Confira quais são as principais tendências do segmento e descubra como se tornar um especialista
O setor de varejo alimentar é, ao mesmo tempo, um dos mais resilientes da economia e um dos que mais exigem adaptação rápida. Dos fatores econômicos globais aos avanços tecnológicos e mudanças no comportamento do consumidor, o segmento passa por constantes transformações.
Marcelo Martins da Costa, Coordenador da Pós-Graduação em Gestão do Varejo Alimentar da ESPM, selecionou cinco das principais tendências do varejo alimentar no Brasil e no mundo.
A consolidação do “value retail” (formatos de valor)
Em um cenário global de inflação e juros elevados, o comportamento do consumidor é, em sua maioria, de “value seeking” (buscador de valor). A migração para formatos de baixo custo, como hard discounts e clubes de preço, deixou de ser uma estratégia de crise para se tornar um hábito consolidado.
Neste ponto, o Brasil se destaca, virando referência mundial em formatos de valor ao transformar o “atacarejo” em um case global de sucesso. Por aqui, já ultrapassa os hipermercados em participação de mercado, com redes como Assaí, Atacadão e Grupo Mateus em expansão constante, e forçando os supermercados tradicionais a reagirem com investimento pesado em marcas próprias e promoções personalizadas.
Omnicanalidade estruturada e digitalização
A integração fluída entre a loja física e o ambiente digital, envolvendo aplicativos, delivery, click & collect e lockers, se tornou o padrão da indústria no pós-pandemia. No mundo inteiro, as operações buscam automação para otimizar estoques e precificação.
No Brasil, grandes marcas como Carrefour, GPA, Sonda e Zona Sul avançaram rapidamente em estratégias omnichannel, consolidando o uso de dark stores e entregas ultrarrápidas. O desafio, agora, reside em reduzir os custos operacionais do e-commerce e diminuir a desigualdade regional na adoção dessas tecnologias.
Dados como um ativo estratégico
O varejo alimentar está evoluindo para o conceito de “retail media companies”, ou seja, empresas de mídia de varejo. A tendência global aponta para a monetização de dados de comportamento do consumidor, permitindo ofertas personalizadas em tempo real e o uso de inteligência artificial para previsão de demanda e “ruptura zero”.
Os dados se tornaram o corredor mais valioso do supermercado. No Brasil, o movimento é impulsionado pela digitalização bancária (especialmente o Pix) e por aplicativos de fidelidade. Redes como GPA e Assaí já possuem operações consolidadas de retail media, embora o uso de algoritmos preditivos avançados ainda seja um campo de oportunidade para empresas de médio porte.
Sustentabilidade pragmática
A agenda ESG migrou do discurso institucional para a eficiência operacional. A sustentabilidade agora é pragmática: reduzir desperdício, utilizar energia limpa e otimizar embalagens, reduzindo assim os custos e aumentando a margem de lucro.
Embora o consumidor brasileiro seja extremamente sensível a preço, as grandes marcas nacionais lideram ações concretas, como o uso extensivo de energia solar e parcerias para reciclagem. O maior obstáculo do setor ainda é escalar essas soluções a nível regional e independente.
A loja como Hub
As lojas físicas estão se transformando e, seus espaços, se tornando centros de convivência. A fronteira entre supermercado, restaurante e loja de conveniência está cada vez mais fluída, com a oferta de refeições prontas, gastronomia de qualidade e serviços financeiros no mesmo espaço.
Por aqui, essa tendência é liderada pelo segmento premium. Mercados como St. Marche, Oba Hortifruti, Zona Sul e Empório Varanda investem pesado em sortimento fresco e áreas de alimentação. Mesmo o setor de “atacarejo” começa a ampliar seu leque de serviços, embora a experiência completa de “convivência” ainda esteja concentrada nos grandes centros urbanos.
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